“Colocar na praça” significa tornar público, coletivo, aberto. A Praça da Liberdade em Belo Horizonte é ainda mais livre e, por ser assim, tornou-se um símbolo de Minas Gerais. Sua arquitetura é herança do projeto neoclássico da nova capital e o nome é herança da nossa história escrita pelos inconfidentes.
Mas, no início de 2020, a pandemia venceu essa liberdade por alguns meses. A praça foi fechada com grades de aço em todo o seu perímetro, ninguém entrava; não se podia sequer caminhar pelas calçadas. Aquele orgulhoso e lindo monumento à liberdade se transformou em um paradoxo impossível de se acostumar.
Ironicamente, a restrição do nosso ir e vir proporcionou a liberdade para outros seres vivos que passaram despercebidos por décadas. As gramíneas presas entre os paralelepípedos de pedra e pisoteadas diariamente pelas solas dos sapatos tiveram uma trégua e puderam inesperadamente crescer “livres”.
A imagem que se formou foi algo completamente inusitado, a de uma rua gramada e intocada no centro da Praça da Liberdade. De repente, o lugar tão conhecido por gerações e registrado tantas vezes em cartões postais nos dava um presente que emocionava até o mais distraído dos cidadãos.
Eu vi e fotografei a praça da liberdade fechada, vi e fotografei a rua cor de esmeralda, e tive o privilégio de congelar esse raro suspiro de verde.
A proibição acabou, a gente voltou a caminhar pela praça e agora, como disse meu conterrâneo de Itabira, Carlos Drummond de Andrade: a rua esmeralda “é apenas uma fotografia na parede”.